As dez mais antigas e ainda hoje praticadas Religiões no Mundo
Segunda-feira, 14 de Maio de 2007
Paganismo

    O paganismo é, na verdade, uma cultura, tal como a Cultura Oriental, a Cultura Ocidental, a Cultura Aborígene entre outras e, como toda a cultura, possui também uma espiritualidade típica (que podemos chamar, antropológica e sociologicamente, de "religiosidade") que se pode traduzir em diferentes religiões mas, o Paganismo em si, não é uma religião é sim uma fonte inspiradora para rituais religiosos que manifestam a cultura pagã.   

    Da sua raiz paleolítica, dos tempos de grupos nómadas de caçadores recolectores, a principal característica é, sem dúvida, uma forte ligação à natureza, tida como sagrada e viva. Por sua origem matrimonial, há um sentimento bem claro de responsabilidade entre todos os membros da comunidade, ligados por laços de parentesco a uma Ancestral comum a Grande Mãe. Esse sentimento de ancestralidade é partilhado também com a Natureza e particularmente com os seres vivos, levando a um fundamental respeito a todas as formas de vida e existência. O Paganismo promove ainda a noção cíclica do tempo, a partir da ciclicidade dos acontecimentos naturais (estações, lunação, movimentos do sol, etc.), e o consequente sentimento de profunda responsabilidade e parceria com a Natureza, tornando os humanos corresponsáveis pela continuidade do ciclo, isto conduz a um profundo respeito pelos antepassados, que sacrificaram sua vida para que a comunidade continue a existir; o que inclui um certo tradicionalismo na produção económica e nos costumes sociais.
    Dos pontos comuns a todas as sociedades da Cultura Pagã, surgem as características de alguns ritos religiosos que dão forma e concretizam a espiritualidade pagã dos quais se podem listar os seguintes:
  1. A radical presença divina, ou seja, ela encontra-se na própria Natureza (o que inclui os humanos), manifestando-se através de seus fenómenos;
  2. A religiosidade baseada no feminino, representada pela Grande Mãe;
  3. O masculino surgir a partir da referência feminina básica, como filho e beneficiário, ou seja, só conhecido a partir da Deusa. Daí a maioria dos povos pagãos não tenham desenvolvido a noção de um "Deus-Pai", embora vejam o Deus como provedor e como educador;
  4. A ausência de dualismo, ou seja, não têm noções de opostos e/ou complementares (bem x mal, céu x inferno, matéria x espírito, etc, etc);
  5. A ausência do dualismo ter como consequência a ausência da noção de pecado, inferno e mau absoluto. Como a relação com os deuses é sempre pessoal e directa, a ideia de uma afronta à divindade é tratada também pessoalmente, ou seja, entre o cidadão e a Divindade ofendida;
  6. A sacralidade da Terra, daí a ausência de templos, o que, no entanto, não impede a existência de Sítios Sagrados, em geral bosques, poços ou montanhas, os Templos pagãos resultam de um desenvolvimento muito posterior;
  7. A imanência dos deuses e a ideologia da ancestralidade divina, confere à divindade características antropomórficas e as relações tendem a ser de igual para igual, o que pode incluir discussões, confrontos físicos, ameaças, etc.;
  8. O calendário religioso se confundir com o calendário sazonal e agrícola, o que lhe confere um carácter de fertilidade. Portanto, as festividades acontecem nos momentos de mudança e auge de ciclos naturais e agrícolas;
  9. As relações pessoais entre humanos e deuses, levar à ausência de dogmatismos e/ou estruturas religiosas padronizadas, havendo, pois, uma grande liberdade de culto: cada cidadão tem liberdade para prestar culto aos Deuses em sua casa, ou em qualquer outro lugar da forma que desejar. Basicamente, é uma religiosidade doméstica ou de pequenos grupos com laços de sangue ou de compromisso. No entanto, os Grandes Festivais são sempre rituais comunitários, pois comprometem todos os membros da comunidade e existem sempre os líderes religiosos sobretudo em África;
  10. A relação mágica com a Natureza obviamente traduz-se numa religiosidade mágica;
  11. A sacralidade da Natureza tornar todas as religiões pagãs em religiões de comunhão, ou seja, que não visam dominar a Natureza, mas harmonizar-se com ela. Por isso, também são religiões intuitivas e emocionais. Em geral, os pagãos não "pensam" sobre a sua espiritualidade; eles simplesmente a vivem;
  12. O respeito aos ancestrais e o tradicionalismo que isso implica, ou seja, a repetição dos mesmos ritos, na mesma época, cria a união mística com todos aqueles que já os celebraram antes, nesse momento, o tempo é rompido e estabelece-se uma relação mágica com ele isto significa que a repetição do rito torna presente o momento primeiro da realização do culto e faz regressar todos os antepassados que o tenham também realizado;.
  13. A perspectiva cíclica do tempo dá a certeza do eterno retorno. Embora alguns povos tenham desenvolvido a ideia de um "Outro Mundo", a vida pós-morte nunca foi um ideal pagão, pois isso significaria ficar fora do ciclo e, portanto, da comunidade. Assim, o "Outro Mundo" (para aqueles que desenvolveram essa ideia) será apenas uma passagem entre uma vida e o renascimento. O encontro com a Deidade dá-se sempre na comunhão com a Natureza, e não no Outro Mundo.
Respostas rápidas sobre o Paganismo
 
1. O que é o paganismo?
    O Paganismo é, na verdade, uma cultura com uma espiritualidade típica (que podemos chamar, antropológica e sociologicamente, de "religiosidade") que se pode traduzir em diferentes religiões mas, o Paganismo em si, não é uma religião é sim uma fonte inspiradora para rituais religiosos que manifestam a cultura pagã.
2. Quando surgiu o paganismo?
    Aquando do tempo dos nossos antepassados nómadas e posteriormente caçadores-recolectores que devido à enorme dependência e perante a força da Natureza passaram a venerá-la.
3. Quais  são as principais divindades?
    A Grande Mãe considerada a ancestral comum e a Natureza no seu todo, ou seja, a divinização a tudo o que há no Mundo e foi criado pela Natureza ( rios, árvores, animais humanos etc.)
4. Quais são as principais características do paganismo?
    Além do referido atrás, a divinização da Natureza e o culto à Grande Mãe, são: o facto de o homem ocupar um papel de menor destaque pois só é conhecido devido à Grande Mãe, a ausência da noção de pecado, céu e inferno; a relação com os deuses ser pessoal sendo todos os assuntos tratados pessoalmente com a divindade: o facto dos deuses serem vistos como humanos mas com poderes sobrenaturais possuindo assim os defeitos e qualidades humanos; a liberdade de culto; os cultos serem praticados sempre da mesma forma e à mesma divindade ao longo das várias gerações (tradicionalismo); a inexistência de dogmas ou estruturas religiosas e finalmente a realização de festivais anuais de acordo com os acontecimentos naturais e a crença num ciclo interminável em que após a morte se volta a renascer.

 

 
 
 


Publicado por areligiao às 15:26
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1 comentário:
De Deyvid a 6 de Junho de 2016 às 21:58
Alguém me poderia me dizer em quais países o paganismo se originou?


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